O nome "Gran Circo" exprime bem a maneira como penso.
Aparentemente caótico, mas muito planejado, às vezes irônico mas sobretudo divertido.
Não esperem só palhaçadas.
Críticas e manifestações humanas em geral terão lugar garantido no picadeiro.

Agora vamos ver como os domadores e palhaços que moram entre as minhas orelhas irão se comportar!



23 junho 2017

Sobre não reconhecer a própria ignorância

Tenho pesquisado sobre Metacognição como uma das bases para o planejamento das minhas aulas para o próximo semestre.

Podemos definir a metacognição como algo além do pensar, ou ainda como um pensar sobre o conhecimento.

E dentre os textos pesquisados, li o trecho abaixo que achei interessante compartilhar:

A ausência de metacognição se conecta à pesquisa realizada em 2003 por Dunning, Johnson, Ehrlinger e Kruger sobre "Por que as pessoas não reconhecem sua própria incompetência" Eles descobriram que "as pessoas tendem felizmente desconhecer a sua incompetência". Falta a elas a "percepção sobre deficiências em suas habilidades intelectuais e sociais".
Eles identificaram esse padrão em vários domínios - de testar, de escrever gramaticalmente, de pensar logicamente, de reconhecer o humor, no conhecimento dos caçadores sobre o armas de fogo, em técnicos de laboratório médico sobre terminologia médica e habilidades de resolução de problemas dentre outros. (págs. 83-84).
Em reumo, dizem eles que "se as pessoas não possuírem habilidades para produzir respostas corretas, elas também são amaldiçoadas com a incapacidade de saber quando suas respostas, ou de qualquer outra pessoa, estão corretas ou erradas" (pág. 85). Esta pesquisa sugere que o aumento das habilidades metacognitivas - para aprender habilidades específicas (e corretas), como reconhecê-las e como praticá-las - é necessária em muitos contextos.

Não! Não me abandones...

Olá

Vi agora que desde Abril não faço postagens por aqui. Lamento e peço desculpas pela ausência, mas foi um período bem agitado em que tive que abdicar de algumas coisas.
Embora ideias e opiniões continuassem fervilhando, o tempo foi escasso para o blog.

Opiniões políticas, principalmente, não tem dado tempo de escrever sobre, dadas as tantas mudanças e novas palhaçadas que aparecem todos os dias.  Pobre Brasil!

Mas... Não me abandone!

18 abril 2017

Aniversário do impeachment da Dilma

Agora há pouco, vi uma postagem do Luciano Pires no Facebook (de ontem), em que ele pergunta aos seus leitores se o Brasil está melhor ou pior, depois de um ano do impeachment da Dilma.

Na minha opinião, Sem dúvida está melhor!

É claro que há de se fazer uma contextualização. Melhor não significa, nem de longe, que todos os problemas estejam resolvidos ou em vias de.  Melhor não significa, como queriam alguns, que num passe de mágica o país tivesse se livrado de todo o entulho ideológico que se acumulou ao longo da gestão do PT. Melhor não significa que uma aura de santidade tenha sido incorporada aos nossos políticos.

Entretanto, está melhor porque houve um desmonte do projeto escuso de poder que vinha se tornando cada vez mais faminto. Há muito mais gente pensando o Brasil como uma nação e não como um quintal. E há um clima, hoje, ligeiramente mais otimista.

Ventos liberais estão soprando novamente e são muito bem vindos.

Para melhorar de fato, eu gostaria de ver a nossa mídia e as redes sociais ocupadas com discussões sobre projetos de educação e melhoria da saúde pública, como metas e planos de ação a começar de agora, ao invés de tanta discussão sobre os podres poderes, sobre delações e sobre desimportâncias.

E que o povo brasileiro passasse a pensar sobre o que cada um pode fazer pelo Brasil ao invés de continuar pensando como continuar parasitando o Estado brasileiro, exigindo direitos anacrônicos e questionáveis enquanto o barco Brasil continua adernado.

08 abril 2017

A Casa da estação


Dia desses estivemos reunidos para comemorar a vida junto com um grupo de parentamigos, alguns dos quais não víamos há alguns anos.
Tantas coisas, tantas situações foram relembradas que precisaríamos de mais algumas semanas pra botar a conversa em dia e rir todas as boas risadas que esses encontros proporcionam.

E uma das coisas que todo mundo se lembrou com saudades foi a “casa da estação”.

A construção com a fachada e planta típicas das casas de ferroviários deve ter sido construída entre o final do século XIX e início do século XX - já aparece em fotos datadas de 1920 - e era destinada à moradia do Chefe da Estação, figura importante naqueles tempos. Tem paredes grossas de tijolos de alvenaria descomunais, telhas francesas vindas de uma olaria em Marseille, janelas e portas importadas e confeccionadas em pinho de riga, com inúmeros aposentos de um pé-direito altíssimo mas ridiculamente pequenos.

foto de 1920 - Arquivo de Benedito dos Anjos


Durante muitos anos a casa foi residência dos meus sogros Iolanda e Ignácio, desde que ele veio transferido de Cachoeira Paulista.

Era uma pequena chácara dentro da cidade com galinheiro, fogão à lenha, árvores frutíferas, pinheiros, um loureiro, e nos dias de chuva, muita lama pra molecada jogar futebol.  Tinha até um laguinho azulejado que era usado como piscina pela criançada.

É claro que eu só me lembro da casa depois de ter entrado para a família. Foi o palco de muitos finais de semana memoráveis e de muitas confraternizações quando lá se reuniam os membros da família que vinham do Vale do Paraíba, de São Paulo, de Itú, e do ABC. A casa também fez parte da infância dos meus filhos, até a aposentadoria do meu sogro.

A casa ainda está por lá, mas a estação como um todo está muito diferente. Um pouco mais moderna, mas extremamente desfigurada em sua essência ferroviária dos velhos tempos. Hoje restam as boas lembranças.


19 março 2017

o brasil contra O Brasil


Nós temos um problema muito mais sério do que vemos nos noticiários e nas redes sociais, e que ninguém se dá conta.  O brasileiro não leva o Brasil a sério.

Hahaha! Qualquer crise vira piada, vira um meme, uma charge, cheios de imaginação. Vira motivo de riso, e fica tudo por isso mesmo. Toda essa criatividade não está servindo para nada!

Começa porque somos uma terra de ninguém. O senso de pertencimento do brasileiro como povo é praticamente zero. Mesmo a meia dúzia de aguerridos militantes de esquerda que poderia chamar isso pra si, grita pelos motivos errados.

O nosso individualismo é congenitamente mal formado. De fato, não somos individualistas, somos uns dependentes precisando de reabilitação. Dependemos do Estado, dependemos de salvadores da pátria, dependemos dos pais dos pobres, dependemos sempre que alguém nos diga o que é melhor pra nós. Não acreditamos que possamos erguer um país por nós mesmos.

E por isso, acabamos elegendo gente desclassificada e sem cidadania alguma para exercer esses papeis. Não pode dar certo!

A nossa janela de percepção do Brasil e do mundo não é transparente

E para piorar só percebemos um mundo ficcional que achamos que é real. A nossa janela de percepção que é imposta pelos meios de comunicação (de A a Z sem exceção) é acreditada como sendo a realidade.   Isso me faz lembrar a "Caverna de Platão". - seja curioso procure saber do que se trata.

A nossa mídia formal abre janelas sequenciais de notícias diversionistas (sempre querendo tirar a nossa atenção do ruim para o pior), amplifica pequenas crises para que pareçam o mais novo apocalipse, planta notícias falsas ou meias verdades, enfim dirige a nossa atenção para aquilo que interessa momentaneamente a elas próprias ou aos interesses que defendem.  Infelizmente agem todo o tempo como Arautos do Caos.

Em paralelo a isso, empresas de publicidade de pesquisa a soldo, usam de todos os artifícios para também plantar "tendências" que a rigor não mereceriam uma linha pela confiabilidade.

E o povo brasileiro bovinamente, com suas "excelentes" habilidades de interpretar textos, e um senso crítico "perfeito" se submete a essas verdades instantâneas e usa as redes sociais para repassar tudo o que ouve ou vê (e não lê), achando que o céu cairá sobre nossas cabeças se o Temer continuar, se o Lula não for reeleito, se a Dilma aprender português, se o juiz isso, a previdência aquilo,
se o Trump...
É algo como se preocupar com as pulgas mas deixar o cachorro morrer de fome.

Hoje nós somos apenas o reflexo embaçado de um povo tutelado por um Estado patrão. Somos a sombra de um projeto falido de socialismo tropical, que em maior ou menor grau vem se arrastando desde Getúlio Vargas ou ainda antes.

A ideia equivocada de que o Estado social durará magicamente para sempre e que é um manancial inesgotável de recursos, continua encantando muitos cegos de informação.  E desse modo aqueles tais pais dos pobres, coronéis, ou simples aproveitadores continuam se locupletando sem limites, cantando o canto das sereias e se eternizando no poder.

Será que não está na hora de repensar o Brasil? 

Será que não está na hora de agir a partir de nossas reais prioridades?
Na minha visão as prioridades do Brasil se constituem em um tripé: Educação, Saúde e Segurança, em que a Educação é a perna que equilibra o sistema.
Só com um sistema educacional de qualidade é que constituiremos verdadeiramente uma nação. Isso só será possível quando restaurarmos uma escola sem vieses partidários, com professores bem formados que saibam sua real função em sala de aula.

É impossível que possamos construir algo sólido com a qualidade do repertório cultural, competências sociais e profissionais, que os nossos jovens apresentam hoje quando deixam os bancos escolares. Mas é possível mudar isso em 3 ou 4 gerações.
Depende da vontade política, mas isso deve ser imposto por nós mesmos. Já vimos isso acontecer em outros países que hoje são potências mundiais econômicas e sociais.

 Só pessoas com uma educação sólida passarão a pensar nas consequências de cada pequeno ato, saberão cuidar do meio ambiente e de sua própria saúde, serão cidadãos mais conscientes, serão produtivos profissionalmente, serão vigilantes e honrarão os seus deveres para com a Pátria.
Cidadãos educados serão cidadãos mais saudáveis onerando menos a saúde pública.

E melhores cidadãos contribuirão para uma sociedade mais segura reduzindo os gastos da segurança pública.

A pergunta que não quer calar é: O que você está fazendo nesse sentido?

14 março 2017

A carência de valores que nos assombra

ilustração por Valter Mello
Ontem pela manhã, acompanhei minha esposa ao médico, exatamente no horário da entrada de um colégio que fica em frente ao local da consulta.

Na falta de algo pra ler, fiquei observando a entrada de alunos por volta de uns 15 a 20 minutos e o que vi não é exatamente um painel elogioso sobre os valores daqueles que são “o futuro da nação”.

Eu estava em uma posição privilegiada para ver os carros que chegavam e como paravam, as interações no desembarque, e a passagem dos alunos pela portaria.
Sem medo de errar, eu digo que menos de 20% dos alunos cumprimentaram o porteiro ao passar por ele.

Ainda menor do que esse percentual, foi o dos alunos que ao descer dos carros dos seus pais, lhes deram um beijo, ou ao menos um “tchau” ou tiveram uma interação mínima. A imensa maioria saiu do carro completamente indiferente a que estava ao volante.

E inversamente proporcional a isso, foi o dos carros parando no meio da rua ou em fila dupla, para não se dar ao trabalho de encostar no meio fio, ainda que haja um bom trecho de calçada livre em frente à portaria exatamente para evitar congestionamento na rua estreita.

Não quero afirmar aqui que essa falta de civilidade seja exatamente culpa da escola, uma vez que tenho a opinião de que educar não é a função primeira de uma instituição de ensino.  Esse tipo de educação deve vir de casa.
Entretanto, imagino que uma escola que pretende formar nossos futuros líderes, cuja mensalidade deve beirar os R$1.000,00 senão mais, e cujos alunos são levados até ela em grandes SUVs e carros nada populares, deveria cuidar da formação também em cidadania e não se preocupar só com o faturamento e com boas notas do ENEM.

Como imaginar que adolescentes que são completamente indiferentes ao porteiro que diariamente cuida de sua segurança, estejam desenvolvendo bons hábitos de urbanidade?

Como imaginar que adolescentes que percebem seus pais apenas como motoristas, talvez até como reflexo de não ver neles os exemplos mínimos de respeito ao próximo, estejam desenvolvendo noção de respeito

Como eu aposto que isso se repete em outras escolas particulares por aí, eu pergunto:  É essa a qualidade dos líderes que estamos desenvolvendo?  São eles que mudarão o Brasil para melhor?

Pobre Brasil!

11 março 2017

Brasil - Um país adernado

ilustração por Valter Mello sobre imagens de www.pixabay.com

Somos um país adernado à esquerda – bombordo na linguagem náutica, que curiosamente é o lado do navio sinalizado com uma lanterna de cor vermelha.
Adernado porque não temos uma contraparte à direita que consiga aprumar  o nosso barco, e um barco adernado é um barco instável.  Para seguir em frente, teria que contar com um capitão extremamente competente que não se intimidasse de se livrar da carga concentrada que está deixando o barco ingovernável, mas o que temos visto é que não só os capitães mas também os seus assessores continuam olhando à esquerda ao invés de para frente.
O problema disso é que quanto mais o barco aderna, mais a carga corre para o lado que o fará soçobrar, e a correção terá que vir da extrema direita. É isso o que queremos?
A maior parte dessa carga adernante é de lixo orgânico que veio se acumulando em nosso país desde tempos imemoriais. Os miasmas desse lixo continuam contaminando as pessoas com uma doença que se manifesta sob a forma de coitadismos, segregacionismos irracionais, vitimismos, síndromes de vira-latas, e outros sintomas como o desejo incontrolável por direitos e o asco exagerado aos deveres. 

Nossa legislação não ajuda o Brasil

Essas deturpações, que se tornaram quase naturais, se manifestam através da falta de civilidade e do individualismo torto dos brasileiros, e da complacência com a corrupção.
Foram sendo justificadas através de leis inúteis, contraditórias, culminando com uma constituição prolixa e confusa, mas continuam se disseminando. Tudo isso misturado virou um paraíso para os ratos exploradores de brechas na legislação, um prato cheio para os zumbis exploradores da ignorância, e para os “salvadores da pátria” que de salvadores nada tem.
Vemos reflexos dessa doença todos os dias: Virou moda a crítica às empresas e ao lucro como se fossem coisas do demônio, virou moda que a mídia (com pouquíssimas exceções)  teça notícias distorcidas desde que siga a cartilha das esquerdas e das supostas minorias. Por exemplo criticando ações duras das forças de segurança ainda que em favor do bem comum.
Virou moda exigir direitos pelo simples desejo de algumas minorias “espertas” de que algo que lhes seja conveniente passe a ser considerado um direito.   Virou moda crucificar qualquer opinião contrária a esse senso comum.  É quase um crime expressar ideias liberais ou mais ou menos conservadoras, qualquer que seja o grau.
Recentemente, em um treinamento do qual participei, houve uma dinâmica em que os grupos deveriam decidir pelas ações a tomar com um empregado do setor de segurança, que foi pego furtando a empresa; que confessou o crime mas alegou que praticava o delito porque precisava custear um tratamento de saúde para sua mãe querida.
O resultado foi uma imagem do Brasil.
Dos cinco grupos, apenas um decidiu pela demissão do empregado por justa causa, justificando que as decisões da empresa devem ser impessoais, e o que importa é o fato em si.
Todos os demais, em maior ou menor grau, relativizaram a gravidade do ato praticado pelo empregado (ainda que fosse ele um dos responsáveis pela segurança), alegando a função social da empresa, o fato de que a doença da mãe seria uma atenuante, que a empresa era a culpada pelo ato do infrator por não ter lhe dado condições de pedir auxílio (pura interpretação já que isso não estava no texto do caso), e outras motivações que na minha opinião, acabariam por passar aos demais empregados a noção de que os fins justificam os meios.
Isso foi só um exemplo de como as coisas são decididas por aqui. Com base na emoção, nas lágrimas, no canto doce da sereia, ou por medo das chamas do inferno.

Como evitar o naufrágio?

Precisamos aprender urgentemente a nos ater aos fatos e não julgar pelas aparências ou conveniências.
Reduzir as infrações procurando o lado “social” do crime, só nos leva a tomar decisões erradas.
Na minha opinião, isso não é diferente do velhíssimo “estupra mas não mata”, e da fala dos nossos famigerados defensores dos direitos humanos, que via de regra culpam as vítimas.
Há muito o que fazer pelo Brasil. Há muito o que fazer para a melhoria dos nossos indicadores sociais. Entretanto, situações anormais exigem ações anormais. E rápidas.
Falta pouco para o Brasil fazer água e soçobrar de vez. Muita culpa por isso será devida aos nossos “intelequituais” que só conseguem ver a água do naufrágio cada vez mais próxima e ouvir através dela o canto fúnebre vindo dos cadáveres das sereias socialistas.  A situação é crítica, ou a gente muda nosso modo de pensar ou não haverá botes salva-vidas para todos.

Lembrem-se do que disse John F. Kennedy: “Não pergunte o que o seu país pode fazer por você. Pergunte-se o que você pode fazer pelo seu país”.  E o Kennedy era um democrata, o que significa que era teoricamente de esquerda.  Quanta distância do pensamento da esquerda subdesenvolvida que temos por aqui, hein?

este artigo também foi publicado na revista digital Sociedade Pública

25 janeiro 2017

A vida é mesmo como um Jogo de paciência?

photo by Carlos Paes in www.freeimages.com
Há muito que tenho cultivado a imagem que a vida é como um jogo de paciência, em qualquer das suas inúmeras versões.
O virar de uma carta (evento aleatório) interfere na sequência como todas as cartas já conhecidas e devidamente posicionadas serão rearranjadas, e muitas vezes ocorrem situações irremediáveis e não conseguimos levar o jogo até o final.  Tal como na vida, dependendo de qual o nível de dificuldade que se tenha imposto, as probabilidades de terminar o jogo com sucesso podem ir de 90% até 20% ou ainda menos.
Isso tem a ver com decisões, desafios, e recompensas. E de novo, tal como na vida, tem a ver com o valor que atribuímos a cada uma dessas coisas.

De uma conversa pela manhã, em que eu e minha esposa conversávamos sobre os "E se" da vida: E se eu me graduasse em medicina?, ou em direito?, E se eu tivesse migrado para o departamento de manutenção?, e se eu não tivesse me demitido do emprego?, E se eu tivesse insistido mais nos negócios do meu pai?, e se eu tivesse ido trabalhar em Manaus, E se eu me graduasse no ITA?  E brincávamos sobre os impensáveis cenários atuais resultantes dessas opções.

Em seguida li uma postagem da minha nora com "lembranças" no facebook, justamente falando de suas decisões, e surgiu-me a ideia de fazer uma pequena postagem sobre o assunto.

As decisões que tomamos são libertadoras (comentário de outra pessoa na mesma postagem).  Ao que eu acrescentei que as decisões que tomamos fazem a nossa história.  Uma única história!

Entretanto, as decisões que poderíamos ter tomado fariam infinitas diferentes histórias cujos resultados jamais saberemos. Compõem uma infinita sucessão de "Se".  Considerando que eu não creio em universos paralelos, não vale a pena sequer pensar em quais seriam os resultados das outras histórias porque elas nunca aconteceram.

A vida só conta a partir das decisões tomadas.

Assim sendo...   'mbora decidir!

E você concorda ou discorda?

Ah! Se você gostou  desse texto, creio que gostará de ler também sobre as lições do vaso quebrado:

http://circodasideias.blogspot.com/2014/07/o-vaso-quebrado-e-suas-licoes.html

19 janeiro 2017

O leilão de cavalos crioulos

photo by Sebastian Danon in www.freeimages.com
Em minha vida de consultor, tive a oportunidade de viajar o Brasil inteiro fazendo projetos rápidos para uma grande multinacional, projetos esses que visavam o desenvolvimento de boas práticas logísticas em clientes promissores, num autêntico ganha-ganha.

De passagem é preciso dizer que ninguém instala um armazém de empresa em um bairro nobre. Desse modo, a periferia e a “beira de rodovias” fizeram parte do pacote com todas as suas peculiaridades. Foi uma oportunidade de ouro para conhecer o Brasil de verdade, a sua gente e cultura regionais, sem os filtros coloridos do turista.  Eu diria mesmo que tive a oportunidade de conhecer os vários Brasis, com suas múltiplas linguagens, culinárias, costumes, valores e crenças. À despeito das diferenças eda pobreza da maioria dos lugares,  eu gostei do que vi.  Ainda tenho fé no Brasil.

É bem verdade que também conheci um mundo de charme e “savoir-vivre”. Tanto com os empresários envolvidos no projeto, com os meandros do poder e da influência política concentrada por eles principalmente nas pequenas cidades interioranas do norte e nordeste, mas também porque a hospedagem foi sempre em hotéis top e frequentemente rolava um almoço de negócios nos melhores restaurantes disponíveis (nem sempre de luxo).
Vou voltar aos causos dessas viagens várias vezes. Por razões de bom senso, quando eu precisar me referir a nomes de pessoas ou empresas esses serão sempre fictícios.

O leilão de cavalos crioulos

Não sei como a cidade está hoje, mas a Curitiba que conheci me deixou muito bem impressionado.  Uma cidade bem organizada e funcional, com gente muito hospitaleira.
Depois de uma reunião inicial com o cliente, fomos convidados  para almoçar no belo Parque Barigui, que é um local tradicional de feiras e exposições. Durante o percurso da sede da empresa até o parque, o sr. Zeca, o dono da empresa visitada, me conta que é criador de cavalos da raça crioula. 

Chegando ao parque, e de  surpresa, ao invés do restaurantes  fomos levados primeiro para visitar uma exposição agropecuária que estava  acontecendo por lá. Muitas picapes, SUVs, muita gente orgulhosa de suas origens gaúchas e devidamente trajadas com suas pilchas.
E aí o Sr. Zeca me pede: “Seo Valter, eu tenho um animal no leilão e preciso de um favor: vai com o meu peão até as cocheiras como se estivesse interessado em iniciar uma criação, converse com o pessoal de lá, e fique particularmente interessado pela minha potranca. Assim como quem não quer nada, deixe escapar que está disposto a pagar pelo menos um X por ela. Isso vai me ajudar a levantar os lances.”

Não sei se ajudei em alguma coisa porque a minha cara de espanto ao ver tantos animais bonitos deve ter me denunciado. Mas o churrasco no almoço estava uma delícia, e nele sim, eu aproveitei para perguntar e aprender mais sobre a raça.  
Quisera eu poder, de fato, começar uma criação.

24 dezembro 2016

Por um Natal e novo ano de ações

photo by Brian Strevens in www.freeimages.com


Olá pessoal
Nestes últimos dias eu andei refletindo muito sobre o que escrever sobre o Natal e o novo ano, e decidi não escrever nada no estilo natalino.
Solidariedade, Hospitalidade, Civilidade, Compartilhamento, Respeito, são algumas das palavras que comporiam o meu texto, mas só quero lembrá-los de que para que valham alguma coisa não basta escrevê-las, precisamos de ações.

Esqueçam frases bonitinhas, cheias de efeito e luzinhas piscando, os Corais natalinos e as árvores enfeitadas, Esqueçam os amigos secretos, esqueçam as trocas de presentes, esqueçam o Natal do consumo, esqueçam as orações e as bênçãos de ocasião.

Em lugar disso, façam a si mesmos a promessa de que todos os dias, e não só nos próximos dias, vocês agirão no sentido de tornar esse mundo um pouquinho melhor, deixando de olhar apenas para vocês mesmos.  Uma pequena boa ação por dia, e um olhar para além do seu próprio umbigo já seriam suficiente, mas eu tenho certeza de que, se você é meu amigo, você é capaz de muito mais.

Qual será a sua contribuição para que:

Nos novos anos as notícias sobre guerras e violência sejam a exceção e não a regra, que só tenhamos fotos de crianças sorridentes nas revistas e noticiários, que políticos confiáveis sejam mais reais do que os elfos de Papai Noel, que nossos níveis educacionais ganhem destaque positivo, que possamos atravessar a rua em uma faixa de pedestres sem medo do atropelamento, que tenhamos menos carrinhos de supermercado largados pelo estacionamento, que uma vaga ou uma fila para pessoas especiais sejam respeitados, que mais pessoas respeitem os direitos do próximo e lembrem-se que todos temos deveres com esse próximo.


Enfim, tá bom vá!  Ainda dá tempo de fazer algo para este Natal, e fazer um 2017 minimamente decente (o que já será um bom começo), só depende de você.

10 dezembro 2016

Dia do Palhaço

photo by Paul Tom in www.freeimages.com
Dia do palhaço. O que comemorar?  Este ano de 2016 está longe de ter sido o ano que todos os palhaços de fé desejariam. Um ano em que todos rissem e fossem felizes. E que a alegre música circense, tocada por uma daquelas bandinhas simpáticas estivesse no ar.

Principalmente para nós brasileiros, foi um ano surreal, em que todos nós estivemos no picadeiro, porém apenas para servir de serragem para a maioria de nossos políticos.

Que venha 2017, e que a situação se inverta. Que sejamos nós os palhaços e eles a serragem.






01 dezembro 2016

Onde estão os conversadores?

photo by Carlos Paes in www.freeimages.com
Eu não sou um saudosista empedernido daqueles que vivem louvando “os velhos bons tempos”. Vivo muito bem no presente e vivo com intensidade. Entretanto, tenho que admitir que sinto falta daqueles tempos em que não precisávamos ter tantas preocupações com segurança, em que as pessoas pareciam mais puras, em que podíamos confiar em desconhecidos sem tanto medo de sermos passados para trás. Tempos em que a vida parecia mais simples e o tempo corria mais devagar.
Ops! Será que estou sendo saudosista?  Até acho que sim! Talvez porque eu vivi um tempo em que era possível andar de madrugada pela cidade, fazer camping selvagem em qualquer praia da Rio-Santos preocupando-me somente com o qualidade do repelente e com o limite da maré alta, encontrar gente disposta a conversar, e pasmem: com uma conversa gostosa daquelas que a gente não queria que acabasse.

Onde foram parar os conversadores?

Aliás onde foram parar os assuntos interessantes das conversas? Atualmente está difícil vencer a concorrência com os celulares. Parece que as pessoas nunca estão onde seus corpos estão. É um tal de ver gente falando ou rindo sozinha, voando pendurada pelos fones de ouvido em suas orelhas, ou mais recentemente caçando monstrinhos digitais.  E tem gente achando que até o Facebook está ultrapassado e que agora toda conversa pode ser resumida num whatsapp com meia dúzia de palavras, quando muito num aúdio de alguns segundos.
Paradoxalmente, somos todos indivíduos sem individualidade numa coletividade de cada um pra si.

Conversadores, estão ficando raros. Não se iludam os que vêem aglomerações nos botecos e acham que ainda são redutos para conversas interessantes. Quando muito são intermináveis e chatíssimas discussões sobre o time do coração, ou sobre os atributos do garoto/garota da mesa ao lado, mas e assim com baixíssima compreensão por conta do barulho reinante.

Hoje em dia, para se achar um conversador genuíno, temos que pegar uma moto, um jipe, uma bike, e sair para o interior até sentir o cheiro de café no bule e a fumaça de um fogão à lenha (rezando pra não ser assaltado no caminho!).  E então procurar pelos indícios típicos: Um caminhar devagar, um terreiro limpinho, flores na janela, horta bem cuidada. Se tiver sorte, um banco longo debaixo do beiral.

Aí, toca aproveitar o momento. Não se preocupe com selfies ou fotos. Nem peça o cartão ou o telefone Apenas converse. Você não faz ideia da transformação que isso provocará.



24 novembro 2016

Os dois modos de contar a verdade

Estava pesquisando os meus arquivos buscando inspiração para a postagem desta semana, e encontrei um recorte interessante para compartilhar com vocês.  É inspirador, e dá um refresco na pauta política.

photo by Liliana Bettencourt in Freeimages.com

Certo dia, um sultão acordou muito nervoso, pois havia tido um pesadelo horrível – sonhara que perdera todos os seus dentes. A cada dente que caía ele chorava muito e cada vez o choro ficava mais triste. Ele não aguentava mais a angústia e chamou o adivinho do palácio para lhe dizer o que o sonho significava, e o adivinho falou:
- Meu sultão, terríveis palavras vou proferir, mas é a verdade e tenho que lhe dizer. O senhor será muito infeliz, pois todos os seus parentes morrerão, filhos, filhas, esposas e sua adorável mãe.
O sultão ficou irado e disse:
- Como ousas, miserável, falar tais mentiras?! Guardas, arrastem este enganador, batam cem vezes nele e arranquem-lhe a língua para que pare de falar tolices!
Mas a dúvida e o medo do sultão cada vez mais aumentavam mais.
Sendo assim, mandou chamar outro adivinho, que falou:
- Meu sultão, tenho maravilhosas palavras a proferir. O senhor terá longevidade e será aquele dentre os membros de sua família que mais tempo nos honrará com imensa sabedoria e justiça.
O sultão abriu um sorriso imenso e disse:

- Adivinho, ganharás cem moedas de ouro pela feliz notícia que me deu. A longevidade de um homem deve ser comemorada!
Colhido em “Ensino: Como encantar o aluno e vencer a concorrência”
Marques. André, e Pinho Lopes. Cláudia Valéria,
DISAL Editora, 2007

15 novembro 2016

A PEC 241 não é pecado é penitência

photo by Michael Gaida in Pixabay.com

Você que é contra a PEC 241 já se deu ao trabalho de lê-la?  E mais importante, entendeu?
Eu queria muito não me manifestar sobre a PEC 241 mas é impossível resistir a tantos comentários e tantas opiniões daquela certa turminha barulhenta que se acha detentora do monopólio das virtudes.

Na noite de Domingo eu tomei um Dramin e fiz o esforço supremo de ouvir um debate em que o Lindbergh fazia contorcionismos retóricos para mostrar que a PEC 241 será o fim do Brasil.  
Num primeiro momento eu até achei que ele era só um analfabeto funcional, turbinado com um mandato e repetindo o de sempre. Mas quando eu o ouvi defender que o remédio para o Brasil é aumentar os gastos públicos, eu conclui que o problema dele não é analfabetismo funcional, é ideologia demais e conhecimento econômico de menos!  

Alguém precisa contar para ele que dinheiro não nasce das penas das canetas governamentais.

O texto do encaminhamento explica pontos importantes

A tal PEC não é perfeita, mas é o que dá para ser feito  sem aumentar impostos, o que seria inadmissível.  A lambança já foi feita, e não só pela Dilma e Lula.  Essa tendência esquerdista endêmica corrói o Brasil há décadas. O governo petista só fez piorar.
Chega a ser maçante a tática constante desse pessoal ao deitar falação indignada, apostando que poucos leem e menos ainda entendem o que leram. E assim continuam posando de defensores das melhorias da nossa educação e saúde, sem se dar conta que em 13 anos não fizeram absolutamente nada que contribuísse para alguma melhoria efetiva nessas áreas.
Pensassem de fato no Brasil e nosso lugar nos índices globais estaria hoje muito melhor.

O mais importante na PEC 241 não é o texto da emenda propriamente dito, que é absolutamente técnico.  O lance é ler e entender o texto de encaminhamento da PEC feito por Henrique Meireles e Dyogo Henrique de Oliveira, em que são explicadas as razões, os prós e os contras da medida.
O conjunto não propõe nenhum corte nos investimentos em saúde e educação como apregoam os contrários. Leiam o tópico 21: Lá somente aparece a sugestão de que esses investimentos sejam desindexados da receita fiscal da união, visto que é essa indexação que faz com que em caso de recessão essas áreas sofram com a falta de dinheiro.

A PEC dá poder ao Congresso

Outro ponto muito interessante é o do tópico 25, que desmente as baboseiras que vem sendo ditas sobre “entregar o país”, “desmontar o Estado” e outras sandices do gênero.   Vejam nesse tópico que as decisões relacionadas deixam de ser tomadas autocraticamente pelo Poder Executivo e terão que ser resolvidas pelo Congresso.  Trocando em miúdos isso diz que é o Congresso que terá que priorizar o que vai ser cortado ou não, e tudo considerando as despesas totais (sistemicamente e não individualmente).

Portanto, se houver cortes, a responsabilidade será do Congresso, que terá que justificá-los.

Oh moçadinha do mimimi, parece-me que democracia é isso, né não?   Os congressistas não são os nossos representantes eleitos pelo voto?

Então, o que é que a tal PEC tem assim de tão pecaminoso?  Leiam e entendam antes de emitir opiniões. Não está cortando nada – e isso seria virtuoso – está limitando os gastos. Coisa que o governos passados não souberam fazer.

Como disse o Senador Ricardo Ferraço, que também participava do debate, “a PEC 241 não é o pecado, é a penitência”.  Penitência essa que todos os cidadãos brasileiros terão que pagar pela falta de governança que grassou nos últimos 13 anos.


03 novembro 2016

Por que não invadir hospitais para melhorar a saúde pública?

imagem por Erika Wittlieb em www.pixabay.com
Eu tenho tentado deixar o “Circo das Ideias” um pouco mais leve, ficando sem tocar nesse lixo ideológico, nesse vomitório de asneiras que os walking dead das esquerdas tentam impor ao povo brasileiro.
E desse modo, até agora eu deixei de lado as ocupações das escolas, por entender que muitas vozes coerentes já se manifestaram contra elas.

Mas, não me contive e tenho que me manifestar.  Essas asneiras todas que tem ocupado o plenário do nosso parlamento e essa vocação para defender baderneiros, estão me deixando irritado.

Em primeiro lugar, é preciso lembrar que a Dilma – que Deus a tenha – em uma de suas pataquadas forjou o lema Pátria Educadora para, em seguida, cortar a verba da educação, conforme foi amplamente noticiado no final do ano passado.  E eu não me lembro de ter visto nem ouvido nenhuma invasão de escola para protestar.

E agora a grita é contra um Projeto de Emenda Constitucional, que eu duvido que 1% dos defensores do nosso sistema educacional sequer tenham lido.  E se leram, duvido que tenham entendido, já que nossas escolas se especializaram em formar analfabetos funcionais.

O ponto é que não há um mínimo de lógica em invadir escolas – sim! Invadir e não ocupar – querendo com isso defender o que quer que seja para melhorar o nosso sistema de ensino.  Educação se melhora com aulas e não com a ausência delas.

Por que não invadir hospitais para melhorar a saúde pública?

Levando esse raciocínio torto às últimas consequências, então porque não invadir hospitais para melhorar a saúde pública?   Aliás, tenho uma ideia: Esse pessoal também reclama muito do nosso sistema carcerário. Que tal invadir uns presídios e se trancar por lá?  Seria ótimo, não seria?
Há também a questão dos direitos e responsabilidades dos invasores.  Esses pseudo intelectuais  que defendem que uma minoria baderneira tem o direito de cooptar uns descerebrados de 15 ou 16 anos para fazer o trabalho sujo de tomar prédios públicos e impedir as aulas, deveria também assumir que então a molecada tem idade para assumir qualquer tipo de responsabilidade, inclusive criminal, e portanto são plenamente a favor da redução da maioridade. Ou não?  Daí não vale?  Ou estão agindo como bandidos que são e usando a molecada como escudo?

Fazer com que nossos jovens fossem mal formados era parte da estratégia da nossa inteligentzia ao longo das últimas décadas.  O trabalho foi razoavelmente bem feito uma vez que temos pelo menos duas gerações perdidas, e consequentemente mais algumas décadas até a recuperação.


Mas, felizmente parece que o Brasil está reagindo. 
Eu acho que está mais do que na hora dos alunos de verdade e seus pais, se mobilizarem para fazer valer o direito às aulas.
Ainda há tempo para boas notícias.

26 outubro 2016

Todomundo, Alguém, Ninguém, Qualquerum



Era uma vez...
Quatro empregados que se chamavam: Todomundo, Alguém, Qualquerum, e Ninguém.

Havia um importante trabalho a ser executado e Todomundo estava seguro que Alguém iria fazê-lo.

Assim que soube, Alguém ficou muito aborrecido com a situação, pois entendia que o trabalho era de Todomundo, embora Qualquerum pudesse executá-lo. Ninguém imaginou que Todomundo iria deixar de fazê-lo. Desse modo Ninguém tomou a iniciativa.

Todomundo culpou Alguém, quando Ninguém fez o que Qualquerum poderia ter feito.

E assim a história termina.

Provavelmente vocês já leram isso antes, mas escondido nesse jogo de palavras há uma mensagem muito interessante. Será que isso lembra alguma situação real para vocês?

Na dúvida, ao invés de fazer como Todomundo, chame a responsabilidade para si e faça. Esse comprometimento fará muita diferença em suas vidas pessoais e profissionais.




19 outubro 2016

Cartesiano com eixos alternativos


A Malú, uma amiga querida e colega de trabalho, fez um comentário sobre a postagem da foto que ilustra esta postagem, dizendo que o mundo está de ponta-cabeça porque ela está vendo um engenheiro com sensibilidade para atividades, digamos, artísticas.   Eu lhe respondi que como engenheiro eu sou um ser tipicamente cartesiano, mas que sempre estou procurando rearranjar os meus eixos de forma alternativa. É certo que isso dá um sabor mais intenso à vida, ao invés de só enxergar integrais e derivadas pela frente – assuntos que aliás, eu confesso que nunca gostei muito.

Então esta postagem é um pouco sobre como arranjar os eixos de forma alternativa.  

Há um tempo eu postei uma outra foto em que aparece o Kiefer, o weimaraner da família, em pé na bancada me ajudando na marcenaria.  Eu gosto muito de passar o tempo livre na minha oficina de 1,5m x 2,0m produzindo poeira e às vezes alguma coisa apresentável!

Crie novos eixos 

Além da marcenaria, também tenho entre os meus múltiplos hobbies a pintura e a fotografia. Neste final de semana eu juntei os três e terminei uma “arte” que consistiu em fazer uma transferência direta de uma foto impressa para um painel – no meu caso de fibra de madeira – emoldurando-a em seguida em uma moldura feita com o reaproveitamento de sarrafos de madeira, e o conjunto ficou com uma cara de pintura antiga. Modéstia à parte ficou bem legal!

A foto é antiga, um cromo feito em Ilhabela lá pelo final da década de 1970, que digitalizei há algum tempo, e que agora foi tratada para valorizar o contraste e eliminar as cores.  

A técnica de transfer que usei é relativamente fácil, mas exige uma paciência asiática já que depois da impressão e colagem da foto no painel, é preciso eliminar o papel, o que exige mais do que mãos de fada, é preciso ter mãos de ninja ou a bagaça vira um borrão só.
Fazer as molduras é uma técnica um pouco mais complicada, por conta das meias esquadrias (os cortes a 45°) nas ripas - ah como eu invejo aquelas oficinas americanas de garage!!!   Mas se você só tem uma serra tico-tico, não se desespere, não fica tão perfeito mas dá pra fazer.

A ideia da postagem não é mostrar novamente a arte, é dar uma dica para que não se dediquem apenas às atividades profissionais mas procurem desenvolver hobbies que resultem em novas sinapses – algo como aumentar a população dos Ticos e Tecos que habitam entre nossas orelhas.  Fazendo isso, não só ganhamos maior capacidade de pensar soluções criativas para os problemas do dia a dia (profissionais ou pessoais), como também reduzimos o stress e melhoramos nossa saúde de um modo global.  Nem só de ginástica vivem os humanos.


Pensem nisso!  O que vocês fazem além de trabalhar e malhar?

30 setembro 2016

Hoje é dia de poesia: Porque gosto do mar...


Porque gosto do mar...
Um barco balança preso ao cais,
Suas velas ansiando pelo movimento.
Um velho marujo pensando em suas múltiplas sobrevivências.
As profundezas que se revelam no escuro das águas, quantas almas nelas habitam?
Os golfinhos brincando na espuma da esteira do barco.
A ardentia azulada nas noites escuras
O mar é um mistério sem fim... Por onde já passaram essas ondas?
Valter Mello – Maio 2015

16 setembro 2016

A qualidade de nossos candidatos a vereador está horrível. Em quem votar?


A qualidade de nossos candidatos está horrível.  Em quem votar?

No tio da pamonha que promete que vai dar internet grátis, no Zé das Couves que sempre lutou pelo esporte da cidade, na Maria do Zé que promete ônibus grátis para estudantes e idosos, naquele outro que irá propor uma lei para que não chova nos fins de semana, ou no Gravatinha que se diz o amigo de sempre?  Isso sem se esquecer daqueles tantos dos partidos nanicos, que vão “lutar” por um suposto direito de uma auto rotulada minoria qualquer.

O populismo é a regra geral

A imensa maioria dos candidatos não sabe sequer quais são as funções de um vereador e sai prometendo realizações impraticáveis porque estão além de suas atribuições legais, bem como qualquer bobagem que pareça merecer um voto desavisado.  Também vejo essa ignorância política ou má fé colossal nas promessas de benefícios que procuram transferir ao município (o braço do Estado) a responsabilidade pelo bem estar e por direitos utópicos, sem se dar conta de que os nossos problemas de hoje vem justamente desse desequilíbrio rançoso entre direitos e deveres, e de modo mais prosaico pelo desequilíbrio entre receita e despesa.
Tirem o salário milionário e os benefícios pornográficos de um parlamentar para ver quantos candidatos veríamos na corrida eleitoral. Um? Dois? Nenhum?

Além disso, me parece que há também candidatos de mentira, que recebem alguns trocados para ocupar o tempo de TV falando do candidato a prefeito que é apoiado pelo seu partido nanico.
Além dessa corrida do ouro , o anacrônico sistema eleitoral e o horário gratuito ignoram qualquer sensatez e fazem nossos ouvidos de penico. Parece que há uma caixa cheia de tabuletas com frases clichês à disposição dos candidatos e que todos podem pegar tantas quantas conseguirem repetir nos parcos segundos em que mostram a cara feia na TV.  Não falam nada que se aproveite.

Teste prévio de competência

Seria muito mais adequado se os candidatos a vereador tivessem que passar por um teste em 3 etapas: Na primeira teriam que provar, em sessão pública, que sabem quais as funções de um vereador;
Na segunda teriam que convencer o povo do seu bairro ou distrito, cara a cara, da viabilidade de suas propostas e ideias;
E só depois disso é que ganhariam o direito de disputar nas urnas o nosso voto.
Entretanto, por enquanto não é assim que a banda toca.  Meu conselho é que NÃO votem em ninguém que venha insinuando algum tipo de favorecimento, ou que não tenham uma visão clara sobre o alcance de suas atribuições.  Eles só estão sonhando com o salário de vereador e vão lhe esquecer rapidinho.


Portanto, é bom lembrar que os vereadores são eleitos para que sejam representantes da sociedade, para propor e votar leis que atendam os interesses da coletividade na forma de benfeitorias, obras, e serviços, que sejam de interesse comum à população em geral.  Também são os responsáveis pela fiscalização das ações tomadas pelo poder executivo (Prefeito e Secretarias), principalmente no que diz respeito a aplicação do dinheiro público e na gestão das prioridades relativas às demandas do município.

crédito da foto: freeimages.com/Richard Dudley

07 setembro 2016

Mais uma greve - A quem interessa?


Mais uma desacreditada, inútil e indecente greve dos bancários está acontecendo.  Vai ter gente nervosa com a postagem, mas antes de começar o mimimi me respondam: O direito de um não termina onde começa o do outro? Então o do grevista não termina onde começa o do cidadão?  Esse que está sendo desrespeitado, que vai pagar suas contas com atrasos e juros, que fica com sua vida desorganizada?  Lembre-se que você bancário vive numa democracia e ninguém o obriga a ser bancário.  Não serve?  Vai procurar outro emprego! Simples assim.

Algum dia desses, se é que já não foi feito, um estatístico ainda fará uma correlação entre greves, anos eleitorais, sindicalistas em crises de libido, e a conjunção entre Vênus e Júpiter.  E aposto que chegará a conclusões tão inúteis quanto as próprias greves.

Por que digo que é uma greve desacreditada, indecente e inútil, tal qual a esmagadora maioria delas? 

Porque não faz nem cócegas nas instituições financeiras e nas grandes empresas. Só prejudicam mesmo a população, principalmente aqueles mais carentes e que tem menos acesso digital.

Essas greves são iguais xixi no poste. Só servem para marcar território dos sindicalistas. E quer saber:  Eles não estão nem aí pros bancários. Daqui a uns dias, serão chamados pra conversar, levam um “por fora” e voltam com um discursinho melequento destinado a convencer o rebanho que enquadraram os patrões, que a “luta” valeu a pena, e blá blá blá. 
Depois disso guardam as camisetas e os bonés vermelhos – nunca vi uma greve verde e amarela! E hibernam à espera da próxima oportunidade. E dependendo dos aplausos, com certeza estarão pedindo votos nas próximas eleições por um partidinho qualquer de esquerda.

Eu queria ver se essas greves de fachada se sustentariam se houvesse algum ônus. Tipo desconto (desconto de verdade) dos dias parados. Demissões; Se houvesse julgamentos duros sobre a legalidade. Se os cidadãos pudessem processar os sindicatos pelos prejuízos. Mas principalmente se houvesse cérebros e culhões para não aceitar o jugo sindical.

Mas enquanto houver essa miríade de sindicatos, nos mais diversos tons de vermelho, “lutando” pelos direitos dos trabalhadores (sério???), e enquanto houver trabalhadores acreditando que é preciso alguém ou o Estado para defendê-los, nós povo – outro rebanho – continuaremos a sofrer os efeitos.

O que parece é que somos destinados a sempre sermos "rebanho", seja de um senhor de engenho, de um coronel antiquado, de um padim padi ciço, de um Antonio Conselheiro, de um pastor, ou de um sindicalista(zinho).

E é só acabar a greve que estarão todos na mesma, ruminando novamente à sombra do seu opressor preferido e pensando na novela, no próximo BBB, no carnaval, no desempenho do seu time, ou anestesiados por uma rede social qualquer.

E ao final da apuração das próximas eleições, tudo continuará na mesma. É triste!

crédito da foto: freeimages.com/edu wagtelenberg

01 setembro 2016

Game over vermelhinhos!


Ontem, a democracia brasileira saiu vitoriosa. A democracia de verdade e não aquela palavra espúria que os esquerdistas teimam em utilizar como se dela fossem os donos . O Brasil ainda está doente, afinal foi muito maltratado nesses últimos anos, mas com indícios imediatos de melhora.

Com o impeachment de Dilma fechou-se um ciclo messiânico e perverso, delirante até, do governo petista que começou vendendo promessas, e que só ficou nas promessas até o melancólico final. Que de real mesmo, só conseguiu criar um buraco econômico abissal (com desemprego e perda de investimentos), as divisões internas (Norte vs Sul), uma multidão de pretensas vítimas, minorias (mas nem tanto) que passaram a acreditar que são melhores que o restante do povo também sofrido, e um exército de sem isso e sem aquilo, cujos membros descerebrados e seus líderes supremos continuam a acreditar no paraíso vermelho. O mesmo paraíso vermelho dos 100 milhões de mortos e dos líderes assassinos estampados pelas camisetas. O mesmo paraíso vermelho que nunca deu certo em nenhum país da Terra.

Não demorou nada para eu ouvir frases irônicas como “que bom, agora acabou o desemprego, não haverá mais pobres, ninguém mais vai reclamar da educação e da saúde” e outras bobagens do gênero.  Minha resposta foi imediata: “... o governo petista prometeu tudo isso e depois de 13 anos nada mudou, aliás piorou.  Então porque agora a melhora teria que ser imediata?”

A vitória não foi completa, há um certo aroma de pizza no ar com a manutenção dos direitos políticos da presidente deposta, num claro desrespeito à letra da Constituição.  A manhã também amanhece com cheiro de pneus queimados pelas avenidas e das bombas de efeito moral que a polícia teve que utilizar para dispersar os baderneiros.  Essa turba que acha que o Brasil se resolve no grito ainda vai dar algum trabalho, mas nada que a lei bem aplicada não dê um jeito.

Mas o céu está de novo azul e ventos liberais sopram para nos animar a trabalhar para levar o Brasil pra frente, para praticar democracia de verdade, e para que todos igualmente tenham acesso à cidadania,  Não nos enganemos. Ainda temos muito o que melhorar.  E precisamos que essa melhoria dependa somente de nós e de nenhum outro salvador da Pátria.

22 agosto 2016

Um balanço dos jogos olímpicos Rio 2016


Quem me acompanha sabe o quanto eu fui crítico em relação à realização dos Jogos no Brasil, porque entendo que esse ufanismo, potencializado pelos patrocinadores e por boa parte da mídia não é de verdade e não se sustenta. É só um anestésico, talvez mesmo um amnésico que nos faz esquecer coisas muito mais importantes incluindo a conta da festa.  O Rio de Janeiro é absolutamente o mesmo nesta Segunda-feira. O Brasil é absolutamente o mesmo.

Mas, a Olimpíada uma vez iniciada é contagiante. Pelos desafios impostos, pelo comprometimento dos atletas, pelas suas histórias de superação, pela diversidade, pela beleza plástica, pela alegria universal, pelo congraçamento, e por todas as outras demonstrações de que a raça humana ainda tem jeito.  E nesses aspectos tivemos muito o que comemorar ao longo do evento.

Eu também destaco as cerimônias de premiação. Elegantes e sem exageros, valorizaram nossa arte e nossos materiais desde os figurinos legais, até o pódio, e o design da bandejas e dos estojos em madeira.

Pena que nem tudo é perfeito

Tá bom que em um evento desse porte, por mais que pensemos esportivamente ainda não conseguimos nos livrar das contaminações políticas e econômicas, e em muitos casos, do fato de que o limite a ser ultrapassado já não é humano. Mas isso é assunto para uma postagem mais filosófica.

Também fomos ineficientes, não dá pra negar. É só olhar para os erros de planejamento e de execução, os problemas iniciais na vila olímpica, o uso de materiais de segunda (que tal a água verde?), a poluição...  Pior foi a criação de factoides  para tentar justificar as  pataquadas.  Até prisão de “terroristas” conseguimos fazer!  (chamei isso de pataquada preventiva). 
E também tivemos o “fogo amigo” de nossa própria imprensa, que adora uma desgraça pra chamar de sua.  Mas ainda assim, o resultado do evento em termos olímpicos foi positivo e merece aplausos.

A festa do encerramento

Caraca! Por que não fizeram uma festa bonita assim logo na abertura?  Parece até que os realizadores não foram os mesmos.  Ou será que a abertura foi só um ensaio que deu errado? 

Ontem tudo esteve muito mais harmonioso: Ideias bem realizadas, coreografias expressivas, músicas decentes e significativas. As projeções no piso, mais discretas, valorizaram as cenas (ao invés da abertura quando estavam caóticas). A alegria brasileira foi a tônica. 
Houve umas bobeadinhas aqui e ali, umas fantasias de brócolis, uns vícios de enredo de escola de samba que só se entende quando um comentarista chato lê o script, mas nem isso e nem a chuva atrapalharam o brilho da festa.  Aliás, a ideia da chuva para apagar a tocha foi bem legal.


E com o carnaval final, acho que os participantes saíram com um gostinho de quero mais!

imagem by Stux from Pixabay.com

16 agosto 2016

O tempo passa, mas não apaga as melhores lembranças e as maiores amizades

Encontrei este texto entre meus guardados, e resolvi publicá-lo com a autorização do autor, meu grande amigo Rodolpho Belo da Paixão, com quem vivi grandes momentos compartilhando trilhas, jogando conversa fora, e aprendendo muito. Ele foi o pediatra dos meus filhos e hoje mora em Betim-MG. Talvez algumas explicações se façam necessárias, então elas seguem ao final.

Já pensou em comparar nossa vida à uma Prova de Enduro?

A largada é o nascimento: Cheia de emoções e expectativas pelo que vem pela frente!

A infância parece com o deslocamento: Não se pode errar o percurso, mas se erramos, não perdemos pontos.

A juventude seria o trecho de aferição: Ainda tem-se tempo para correções na velocidade(ímpeto), testando freios e acelerador, conferindo a pressão dos pneus que são o nosso contato com o chão. 

Aí, começa a Vida, o verdadeiro Enduro.
As folhas da planilha vão trazendo para nós as dificuldades, os sufocos, as descidas escorregadias, os subidões íngremes e longos. Mas também trazem as lindas paisagens, as matas fechadas, as campinas verdes, os lindos e às vezes traiçoeiros córregos e rios, o canto dos pássaros. Tantos tombos levamos que a equipe se chamava Tombo Certo, lembra? Mas aprendemos a nos levantar depois de cada tombo, e a cada dia nos aperfeiçoamos, conseguindo cada vez andar mais rápido e com mais precisão.

O importante não era vencer (a prova), era conseguir chegar. Era conseguir vencer a nossa sede, a fome, o cansaço e muitas vezes o medo dos tombos.
Como valia a pena! Como vale a pena! A Vida é um Enduro, uma prova de resistência, de coragem, de luta, e a gente espera pela alegria de chegar. Se ganhamos troféus foi porque erramos menos, foi porque acreditamos mais!

Explicações que talvez sejam necessárias:

  • Enduro, no contexto, é um tipo de prova de regularidade (portanto contra o relógio), praticada com motos offroad específicas para esse tipo de prova. O traçado é desconhecido até o momento da largada e inclui diversas dificuldades naturais: de atoleiros a paredões quase verticais, trilhas travadas, pedras soltas, e outras “delícias”. Os pilotos largam um a um, e se guiam por planilhas (ou road books) que indicam o caminho, as distâncias entre referências, e a velocidade a ser praticada em cada trecho.
    Vence quem conseguir ser mais regular, isto é: passar pelos pontos de controle “PCs”, que são secretos, o mais próximo do tempo ideal. Cada segundo adiantado ou atrasado normalmente representa a perda de um ponto.  Portanto, vence quem perder menos pontos.
  • Deslocamentos são trechos em que não há velocidade controlada. Normalmente são estradas ou caminhos sem dificuldade, utilizados para ligar trechos de trilhas distantes entre si.
  • Trecho de aferição: Trecho planilhado logo após a largada, destinado principalmente à calibragem do odômetro.
  • No início, essas provas eram disputadas apenas com um crônometro como aferidor do tempo, depois vieram os roadbooks e os computadores de bordo para facilitar a vida dos pilotos. Quando começamos as DTs 180 da Yamaha reinavam soberanas. Depois as máquinas importadas e as equipes fortemente patrocinadas acabaram com a graça e com a espontaneidade do esporte.


12 agosto 2016

Os filhos acontecem aos poucos...

Este texto, que foi publicado na revista Sociedade Pública, é minha singela homenagem a todos os pais que se esforçam para criar filhos "do bem".

http://sociedadepublica.com.br/os-filhos-acontecem-aos-poucos/

06 agosto 2016

Abertura das Olimpíadas 2016 - Espalhafatosa e sem emoção

Se eu tivesse que resumir em duas palavras o que achei da abertura das Olimpíadas do Rio de Janeiro 2016, eu diria que foi um equívoco olímpico.

Antes de continuarem a leitura, entendam que farei uma crítica pesada,  mas é só a minha opinião pessoal e ninguém é obrigado a concordar com ela.  Eu adoro eventos esportivos e, com certeza, vou ver todas as provas que me forem possíveis. Acho que o Rio deveria patrocinar o evento? Não!  Temos prioridades infinitamente maiores pra tratar, antes de botar a bunda na janela do mundo.
Além disso, sabemos que essa conta será muito alta e que todos os brasileiros vão pagá-la. Entretanto, agora é tarde pra chorar, afinal os atletas não tem nada a ver com as nossas mazelas. Vamos torcer para que tudo dê certo e que o espetáculo esportivo seja maravilhoso até o final como foi hoje.

Será que vi o mesmo espetáculo que foi divulgado pela mídia?

Só vi o final do evento ao vivo e pelo que andei lendo pela manhã, parece que a imprensa em geral assistiu a outro espetáculo, ou sabe do que aconteceu porque leu o script. Ou eu seria mesmo um tapadão que não entendeu nada, o que definitivamente não é o caso.
Quanto aos comentaristas nacionais parece que estão com filtros cor de rosa. Dizem que fizemos diferente, que saímos da mesmice. Eu acho que fizemos mais do mesmo, e nem tão bem feito assim, mas poderíamos ter feito um espetáculo mais brasileiro.

Obrigado Galvão por me ensinar o alfabeto

O que eu vi talvez tenha sido contaminado pelos comentários chatíssimos do Galvão Bueno e da Glória Maria, que não paravam de falar um só instante querendo fazer crer que eu não estava vendo o mesmo que eles.  Mas (ironia mode on) foi graças ao Galvão que eu descobri finalmente a ordem das letras do alfabeto. Ufa!     (ironia mode off)

Bons momentos

Como um todo o evento foi irregular e eu destaco apenas quatro bons momentos: O desfile da Gisele Bündchen que foi pouco atrapalhado pela iluminação mas foi muito rápido (e sem sentido ao final), o momento da coreografia da descoberta do Brasil (muito legal), o discurso emocionado do ex-atleta queniano Kip Keino e suas pipas, e o acendimento da pira olímpica, que aliás é uma escultura cinética muito legal.
O desfile das delegações é quase um evento à parte, muito longo é verdade, mas que mostra a tremenda carga emocional presente dentre os participantes e por isso é muito legal. Pena que a geração das imagens não correspondeu.
De resto, eu vi um espetáculo descosturado e pretensioso, que não conseguiu mostrar quase nada do que pretendia comemorar, foi bairrista na maior parte do tempo, além de potencializar aquilo que deveria ter sido evitado: Desigualdades e bundas.

O Brasil é muito mais rico do que foi mostrado

O Brasil com toda sua riqueza cultural não foi suficientemente explorado naquele que poderia ser um espetáculo belíssimo de fato, servindo de moldura para a beleza da cidade do Rio de Janeiro.
O pouco das coreografias que pode ser apreciado, quando aquela horrenda projeção no piso deixava identificar o que estava acontecendo, foi uma repetição de obras anteriores da Débora Colker que ganhou dinheiro no mole, o resto foi escondido pelas luzes  e cores esquizofrênicas.
Caetano e Gil escoltando aquela famosidade de quem eu não sei o nome estavam pouco à vontade cantando com playback. Jura mesmo que não temos nenhuma cantora mais representativa da nossa música?
O hino cantado pelo Paulinho da Viola foi chato pra caramba. O Jorge Benjor foi outro que também não esteve à vontade ao lado daquela outra globalete que se acha a cultura em pessoa.
E pra que dar close nas mãos do sambista Wilson das Neves completamente fora da sincronia com a percussão de caixa de fósforos que estava sendo ouvida?
Se não sabe brincar não desce pro play. Pra que usar playback?

No desfile das delegações, aquela bicicleta desenhada pelo figurinista do Falcão e o paticumbum atrás das delegações roubaram completamente o protagonismo dos atletas.  Sem contar aquela fantasia estranhíssima das setas. Como disse minha filha, só faltou a frase "Visite decorado".

Recadinho ecológico fora de hora

Na hora daquele longuíssimo vídeo, quem somos nós pra mandar recadinho ecológico pro mundo, depois de Mariana e da poluição da Baia da Guanabara?
E finalmente, na entrada da Bandeira Olímpica outro equívoco: Atenção: As Olimpíadas são um evento esportivo. O que uma médica e uma magistrada estavam fazendo entre os atletas? Desculpa pessoal, não é hora de fazer política e tampouco ser hipócrita com esse blá blá blá de igualdade e resgate das dívidas históricas, que só servem para potencializar as diferenças. Olímpiada = esporte. Simples assim!


O que sobrou?  Talvez boas intenções!

25 julho 2016

A chama olímpica é realmente a chama que precisamos manter acesa?


Amanhã, a tocha olímpica passará por Mogi. Aliás a um quarteirão de casa, e por isso essa minha nota.

Hoje, quando sai para a caminhada diária vi que as guias estão pintadas, as ruas estão razoavelmente limpas, uma concessionária que também é patrocinadora oficial está mandando ver em um stand na frente da loja para expor um novo modelo, e aposto que ações para surfar na onda da publicidade gratuita devam estar se repetindo ao longo dos 8,5km do trajeto.

Dentre os 47 condutores, 6 atletas mogianos que realmente merecem aplausos por suas carreiras, mas que infelizmente serão esquecidos tão logo uma famosidade qualquer tropece ou tome um tombo.
Ainda bem que a coisa estará passando pela cidade em um feriado – dia da padroeira, porque haverá desvio de trânsito e linhas de ônibus desde hoje à noite, interdição de áreas de estacionamento, e mais um punhado de coisas que fariam uma bela meleca em um dia normal. 

Só na pequena reportagem sobre o assunto na TV local, mais do que 4 secretários apareceram para justificar ou esclarecer alguma coisa de suas pastas, o que significa que gastaram um tempo precioso para cuidar do evento.

A pergunta que não quer calar é: O que a cidade ganhará com isso?

Na minha opinião a resposta correta é um sonoro NADA!
Não há espírito olímpico, ideal de congraçamento dos povos e outros blá blá blás semelhantes que consiga me convencer que não estamos gastando tempo e dinheiro, recursos escassos, fazendo a tocha passar por mais de 300 cidades e reunindo cerca de 12.000 condutores, que não seja para desviar o olhar dos cidadãos das coisas realmente importantes que não estão sendo feitas em todo o Brasil desde a fatídica escolha do Rio de Janeiro.
Já pararam para imaginar o que poderia ser feito com o dinheiro gasto só para manter essa chama acesa?


Boa deixa para se refletir sobre qual a chama que devemos realmente manter acesa para alcançarmos um Brasil melhor!

21 julho 2016

Leituras de férias

As férias escolares são um excelente período para botar as leituras em ordem.

Nesse período, o santo Kindle tem trabalhado um bocado e tive a felicidade de encontrar alguns textos bem interessantes de autores jovens, e fora da lista dos best-sellers.

O primeiro deles foi "O livro secreto", primeira novela do francês Grégory Samak. Uma história fantástica sobre um velho austríaco que descobre uma biblioteca que contém livros que descrevem todos os momentos de todos os seres humanos.  E ele descobre mais ainda, que lhe foi dado o poder de mudar o destino da humanidade.
O livro flui rápido e tem capítulos curtos, mas não espere um texto leve porque aborda o desenvolvimento do nazismo e suas consequências, bem como a xenofobia e o preconceito que ainda perdura por aí.
E transversalmente faz um alerta para que a gente nunca se esqueça da história passada para se livrar das armadilhas de voltar a errar os mesmos erros.

Eu gostei!

O segundo foi "Uma história da terra e do mar", também o primeiro livro da americana Katy Simpson Smith.  A novela (ou talvez um romance) se desenvolve na segunda década do século XVIII na Carolina do Norte, época da guerra pela independência e abrange três gerações. Tem belas descrições e uma linguagem poética, embora trate de temas muito sombrios como o conflito de gerações, o luto, a solidão, a rigidez religiosa, e o contraponto disso tudo com a esperança.

Também vale a pena ser lido. Gostei!

E agora estou encarando o "Vidas provisórias" do Edney Silvestre. Que também é pesadão.

Vou ter que encarar um almanaque do Maurício de Souza antes do final de Julho.

25 junho 2016

O problema em reclamar do sistema é

...que o sistema não pode lhe ouvir. Só as pessoas podem.
E o problema é que as pessoas no sistema estão muito ocupadas em acreditar que não tem força para ganhar do sistema, que elas são meras vítimas dele, peças, engrenagens de uma máquina maior do que elas próprias.
Aliás, quando o sistema não lhe ouve, e aqueles que podem ouvi-lo acreditam que não tem força, nada acontece.
Sistemas não nos tratam mal, não deixam de nos representar, não desperdiçam nossos recursos, não governam de modo insatisfatório, não suportam um “status quo” injusto e geralmente ferram tudo – as pessoas é que fazem isso.
Se nós nos comprometermos o suficiente, nós podemos fazê-lo mudar.

Visto ontem no Seth’s blog by Seth Godin

07 junho 2016

Para que não restem dúvidas:

"...altos níveis educacionais correlacionam-se com maior renda, melhor saúde, e níveis de mortalidade mais baixos. A educação está associada com menor taxa de criminalidade, menos nascimentos indesejados, e menos dependência do Estado (previdência e saúde pública)." Raymond Wlodkowsky - educador americano
Parece tão óbvio, né!?

08 maio 2016

Dia das mães

Minha opinião à respeito de dias comemorativos não é exatamente elogiosa. Nos dias de hoje é difícil conviver com esse bombardeio de “compre, compre, compre” e continuar achando que um telefonema, um abraço, um aperto de mão, ainda tem algum valor como demonstração de sentimentos.  

Vou voltar a isso qualquer hora, entretanto não quero dar a uma crônica feita no dia das mães, um tom menor. Não quero dar a impressão de pessimista que eu de fato não sou.

Ao invés disso, quero ressaltar a importância da comemoração da maternidade (de útero ou de adoção), como um fator imprescindível para o desenvolvimento de nossa esperança em dias melhores. De fato, um dia é pouco para homenagear esses seres humanos transformados por um evento mágico em uma espécie de anjo guardião, a quem cabe cuidar do desenvolvimento e transformação de seus filhos em criaturas autônomas, defendendo isso muitas vezes às custas de sua própria integridade.   

Mães, de fato, conseguem ser simultaneamente a estrutura e o estofo, a colher e o alimento, o espelho e a imagem, o caminho e a jornada, o castigo e o perdão, tudo para que seus filhos possam ser plenos e construir um mundo melhor do que o delas próprias.


Portanto, a elas, muito mais do que qualquer presente, embrulhado em papeis vistosos e acompanhados de um cartão com frases “‘fofinhas”, cabe um muito obrigado, um sorriso e muito carinho, todos em doses diárias. Até porque sem elas, o que seria de você?

26 abril 2016

A velha senhora


Um dia desses, na pracinha em frente ao Circo, notei uma velha senhora, bem alquebrada e parecendo triste, com o olhar vazio, sentada sozinha num dos bancos, sob uma rara árvore centenária que ninguém sabe quando e por quem foi plantada.

Suas roupas amarrotadas fizeram-me pensar que seria uma sem teto, e condoendo-me da pobre mulher, imaginando até que pudesse estar perdida de sua família, fui até ela para perguntar se precisava de alguma coisa.

Ela me pediu que sentasse ao seu lado e acrescentou que, se eu tivesse algum tempo, seria muito bom ter alguém para conversar um pouco, visto que há muito que tem se sentido só e abandonada.
Notei que era uma senhora muito idosa, de idade imprecisa, e fiquei curioso sobre as histórias que poderia ouvir. Sentei-me então ao seu lado.

Disse-me que durante toda a sua existência sempre moldou o caráter da humanidade e ensinou a todos que lhe ouviram, as diferenças entre o certo e o errado, entre o moral e o imoral,  o bem e o mal. 

Ela também me disse que desde há muito tempo, na Grécia sua terra natal, sempre se dedicou a melhorar a convivência entre as pessoas e que sempre foi muito respeitada. A simples menção do seu nome bastava para que a ordem fosse criada. Em sua longa vida, ela teve oportunidade de ver pessoas de todas as classes socioeconômicas, de todas as etnias, e de todos os credos, e mesmo com diferentes ideologias vivendo em harmonia. E que especialmente as pessoas públicas e os políticos, tinham por ela um respeito quase religioso.

Já chorando, ela acrescentou que o seu maior desgosto é ainda estar vivendo nesses dias em que poucos a respeitam. De fato, muitos a desprezam embora falem em seu nome, e até as instituições que deveriam protegê-la, hoje não lhe tem o menor apreço.

Depois de um longo silêncio, ela despediu-se e saiu, andando curvada e trôpega. Antes que se afastasse muito eu lhe perguntei se ela poderia me dizer seu nome. 
Então ela se virou e me disse:

-Meu nome é Ética. E continuou a se afastar.


Ainda me dando conta da profundidade de suas palavras fui acompanhando seus passos e vi horrorizado, a velha sendo atropelada por um carro preto ao atravessar a rua.
Ela sobreviveu, mas o motorista fugiu sem que ninguém pudesse anotar a placa. 

Valter Mello

crédito da foto: freeimages.com/createsima